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segunda-feira, junho 29, 2009

O meu momento Bethan Huws

(cliquem no título do post para melhor compreensão)

sábado, maio 30, 2009

Considerações sobre Arte: Considerando Bethan Huws: Numa consideração sobre a exposição Fountain

Peço desculpa, mas para mim
........uma noz anormalmente gigante ,
....................várias tâmaras desenxabidas
...............................................ou um figo podre,

ainda que feitos em pseudo-acrílico e colocados em cima de um pedestal, não são Arte.

Mas se isso for arte, o que dizer então do trabalho da Natureza, que além da textura e cor desses frutos nos presenteia com o seu perfume e sabor?!

I rest my case.

P.S. O mesmo raciocínio se aplica a uma caixa de pasta de dentes sensodyne, ainda que no pedestal.

sábado, dezembro 15, 2007

celebrando a arquitectura (Óscar Niemeyer)

Não é o angulo reto que me atrai.
Nem a linha reta, dura, inflexível,
criada pelo homem.
O que me atrai é a curva livre e sensual.
A curva que encontro nas montanhas
do meu país,
no curso sinuoso dos seus rios,
nas ondas do mar
nas nuvens do céu,
no corpo da mulher preferida.
De curvas é feito todo o Universo.
O Universo curvo de Einstein.


"O mundo é difícil. A pobreza existe, o desespero existe. Meus irmãos brasileiros estão lutando pelas estradas, para fazer a reforma agrária. As crianças estão na rua. Isso tudo tem que mudar. Isso tudo é mais importante que a Arquitectura."
Óscar Niemeyer, em reportagem no Jornal da Tarde da RTP de hoje

Julgo que esta frase resume com exactidão o porquê deste post, no dia em que Óscar Niemeyer comemora o seu centésimo aniversário. Detentor de uma obra única, caracterizada pelo traço poético, velocidade das linhas e leveza das formas, Óscar Niemeyer é também um militante de causas humanistas. Um activista social. Parabéns!!


Legenda: Cima - Pormenor do interior da Catedral de Brasília. Meio - Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Baixo - Igreja da Pampuha.

quinta-feira, abril 12, 2007

Um stradivarius solitário no metro

Será que a beleza transcende em momentos e locais inoportunos?
Visando a resposta a esta pergunta, o Washington Post, um dos mais conceituados jornais do mundo (logo a seguir ao 24 horas :p), orquestrou uma pequena experiência em Janeiro último no Metro de Washington que contou com a colaboração do virtuoso violinista Joshua Bell.
A experiência levou um Bell incógnito até à estação "L'Enfant Plaza" onde durante 43min executou algumas das maiores obras primas da música clássica ao som de um Stradivarius (o Gibson ex-Huberman) avaliado em 3,5 milhões de US Dólares. Durante esse tempo, Josh recolheu 32,17$US. 1097 pessoas passaram; apenas 7 pararam mais de 1min para apreciar. 7!!

Ali estava Bell, um artista que enche salas de espectáculo em todo o mundo, a ser pura e simplesmente ignorado. Como pode isto ser possível?
Claro que ninguém é obrigado a conhecer um grande interprete de música clássica, ainda para mais quando ele se faz passar por artista de rua; mas daí a ignorar completamente alguns dos maiores feitos da humanidade interpretados com semelhante virtuosismo e mestria?

E é aqui que surge o velho debate epistemológico sobre "o que é a Beleza?". Será um facto mensurável (Leibnitz), ou uma opinião/gosto (Hume)? Tal como Kant e o jornalista que escreveu o artigo, penso que a Beleza é um pouco de ambos, variável consoante o estado de espírito do observador. Daí que prefira pensar que naquele dia as pessoas estavam demasiado concentradas em chegar a horas ao trabalho.
Prefiro pensar isso à alternativa...
Tal como prefiro valorizar aqueles 7 para quem a beleza transcendeu.

A reportagem foi publicada no dia 8 de Abril com o título "Pearls before breakfast" (Pérolas antes do Pequeno-almoço) e pode ser lida integralmente aqui e o concerto ouvido aqui.

domingo, março 11, 2007

no limite de uma arte sem limites...

O Ciclo Cremaster é um conjunto de 5 filmes da autoria de Matthew Barney dedicado ao estudo do processo criativo e à exploração dos limites da arte, uma fusão de artes tão diferentes como a fotografia, escultura, artes plásticas, cinema, teatro, música ou dança.

"Uma forma de ler a série Cremaster é vê-la como uma meditação sobre o processo que nos conduz a fazer coisas. E o ingrediente chave lá dentro é o desejo. É por isso que quis sexualizar este sistema, sem, no entanto, torná-lo rígido numa definição de sexualidade humana. Interesso-me no momento em que o desejo se transforma em objecto."
Matthew Barney (cortesia O Blog da Batixa)

De facto, o ponto de partida para esta obra incontornável da arte contemporânea é o músculo cremaster, músculo que cobre os testículos e que é responsável pela subida e descida do escroto como forma de regular a temperatura testicular e consequentemente o fenómeno espermatogénico. No universo metafórico de Barney a criação artística nasce da concretização reprodutiva e do desenvolvimento sexual. Enquanto fenómeno estético, O Ciclo Cremaster mais do que um estudo da arte é um estudo da percepção da arte, no qual o protagonista principal são as emoções do espectador.

Para mais informação sobre o Ciclo Cremaster aqui.

E agora preparem-se para um pequeno beliscão porque se segue o trailer....

... o murro no estômago fica para quando decidirem ver o ciclo completo (posso afiançar que não é fácil mas no final é recompensante!)

Só a título de curiosidade, Bjork é a companheira de Matthew Barney. Sem dúvida um par excêntrico.